terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Luto

 Na madrugada de ruídos, ferragens penetram o sangue latente.
O inicio solene ao longo luto, um amor que se desmantela.
Há dois dias, a ideia aceitável de minha própria morte.
A Terra batida é a força da vida que resta.
O cheiro da chuva trás a melancolia.
Das secas lágrimas o coração sobrevive de morfina.
Palpitações breves, sussurros nos dedos.
Toda escrita revela a banalidade que existe em mim.
Brando profundo, o medo da morte continua aqui...
Desejo viver perdidamente, toda à loucura.
Estou velando o desespero.
Experimento a doença.  Isso assusta.
Retorno a memoria e emoções atrozes.
Caótico luto.
Há vida me chama: Vá, saia, distraia-se...
Nó na garganta não deixa. A aflição se ativa.
Limpo em catarse o apartamento, na tentativa de descolar o desespero na triste manhã.
A tarde foi contaminada pela fumaça, e aqui estou.
No ponto mais ardente agora é um furo no estomago, simultaneamente as narinas ardem e as lágrimas são cruelmente interrompidas.
O sopro dessa agonia submerge na dor.
Vazio buraco. Cada vez menos tenho vontade de dizer e escrever.
Necessito de coragem. Coragem significa viver. Quero Viver.
Agora estou culpabilizada, tudo se reduz a uma emoção fútil, porque parece que estou pregando a morte...
Busco há vida.
A vontade de suicidar-se no terremoto amoroso, não faz sentido no delírio do poeta.
E mais uma madrugada chegará...
Nasce uma nova expressão em minha face.
Encontro com pessoas desconhecidas, à necessidade de mostrar um espirito novo, alegre.
É para isso é preciso CORAGEM...
Sei que será inevitável outra manhã amarga, mas não me entrego.
Mesmo que a nova tarde seja ainda mais infeliz, travo o choro e coloco o sorriso treinado nos lábios.
Terrível é a tristeza. Desabar em soluços é tão patético.
Os nervos mobilizados, tensionados. Lufadas de sentimentos.
As crises de tristeza trazem uma distorção dolorosa. Um sofrimento desorganizado. Uma fragilidade digestiva, um pulmão desencantado.
Abriu-se a ferida no coração-amor-útero.
Medo do caráter descontínuo do luto.
Viver sem alguém que amamos, significa que amamos menos?
Nada desperta o abandono.
Neve, muita neve...











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