domingo, 13 de abril de 2014

Mulher

A magia do veneno lilás
Deságua seu liquido jocoso na caverna sulfurosa
E nos mulheres estamos vivas e escrevendo
Sol
Caminho no circulo do ar e furo a essência
Por isso, nos meninas, habitamos a brisa
Pra velejar em margens escuras
E é disso que nos alimentamos,
Do sal das nuvens
Purificando os pés com a gota do orvalho
Juntos, na respiração da terra.


(Fernando Naporano e Liz Reis)
Você I

Quando penso em você, surge uma doce esperança, me envolvendo numa suave brisa aconchegante...
O ar que movimenta o coração alcança as estrelas!
Flutuo de desejo esperando te reencontrar. 
Suas delicadas palavras são música e movimenta meus passos...
Hoje meus pensamentos estão dançando por você...

Você II

Ao beijar seus lábios, delírios dulcificantes envolvem meu corpo. Toda sua face que estava arroxeada, outrora dourada e a agora prateada. Ah o menino carnaval, trás o único beijo roubado. No balanço desajeitado, dançamos apaixonados... O ar respira sobre nós! Hoje meu coração sorriu... Nessa atmosfera acolhedora, acariciante, com delicada magia, a vida se torna favorável.
"Steffen" ou "O poeta delira"


Sons de pavor saem da felina narina
Olhos amedrontados acordam o sereno
Um touro anuncia o terremoto
Gotas de rivotril invadem o peito febril congelado pela nevoa branca.
Égide cura o eu do amante feroz, viril
Os fantasmas dos corpos soturnos nos rondam o sono
O despertar trás a luz azul e a poesia da imagem
O mundo se abre na luta da alquimia do corpo,
e vai de encontro ao amor
Amor lunar, amor da terra, amor da vida, amor da arte. Amor teat(r)o
Suas palavras ressoam como veludo “Que é preciso ser orgânico”
Palavras suaves e sutis acalmam os corações
Os lábios carnudos são a fonte do desejo veloz
Livre é seu movimento agora. E no amanhã
Sensível às consequências imediatas
O espirito critico é virtuoso
Transforma, renasce
Erra com maestria, pintando sua obra, sua vida!
Só nos resta desabar em alegria
Onde os riscos da chuva dessa paixão
Movem os dedos acelerados
Tatuados no coração
Flutuo em camadas partidas
No gozo
Penteio a flor
Que arde no peito
Contaminada de Apolo
Afogada em Dionísio
Vento celestial, respiro nesse amor
 “A torrente fluente, profundo fluente”...
Catatônica derrete-me com esse melado olhar
Eletrocutada em lágrimas sucumbidas
Nos olhos do vento 
No frio do novo setembro
Salgado esplendor
Refletem o medo
Afogado e embriagado
Os amantes velejam no mar cor de rosa camaleão
Entardecendo o tautológico sol
Nos corpos repteis, suados, colados na escuridão 
Os trincos do céu avermelhado travam o encontro 
Vênus trás as molduras em jasmim
No ventre flutuam em desespero imenso do desejo de te amar
Eternamente nesse doce começo
Tem doçura tão docemente doce
Enamorados que não se suicidam
Revelam a luz do dia conservada neste maravilhoso encontro do quebra-cabeça de afinidades, cumplicidades e intimidades.
Transformam-se em amor a curiosidade intensa do ser encontrado
Vertiginosamente apaixonados
No gozo no toque musical sobrenatural
Recomeço deslumbrada, danço, no mundo em volta de nos.
Na situação limite, suspensa, imprevisível.
Ah! Enlouqueço!
(Liz Reis)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Eu te quero bem

Tu arrancaste minha alegria.
Nunca mais serei a mesma
Tudo que sei, é que preciso de paz
E vou, vou
Caminhar, na fina garoa, em uma grande tempestade...
Na vida não podemos retornar
Só precisamos respirar lentamente para que essa dor travada na glote pare de doer, arder, gritar.

Gritar esse som mudo e tão feroz

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Olhos felinos



Deslizar sorrateiro no crepúsculo.

Alma grande e bela. Ah fraqueza impressa no olhar, desmontam todas as mascaras, que insistem revelar.

Um rebelde escravo.

Nos Desejos e vícios há prazeres e dissabores.

Tu és:

A gota de orvalho.
                                          Bebo.
O sol que trás a luz.
                                           Cega.
O sussurrar da rouca voz.
                                        Contamina o corpo.
Um inquietante sussurro.
                                           Vertigem
A pele.
                                       Seda do deserto.

Trás a recoloração perpétua no mundo.
                                                                   Amor.

Mil raios saem entre os dedos que transformam o universo.
                                                                            Faíscas

Imã que me foi arrancado e levado pela maré, perco de vista, o intimo se esvai.

Volto a andar nas pontas dos pés.

Fundir o corpo, neste infinito desejo.

Inquietações vibram a pupila.

Estranho é o caminho das paixões.

Não tenho coragem de renunciar o ar de quem dança nas águas.

Quanto mais silêncio, força maior trás o olhar felino. E mais perigo ah neste segredo.

Noites de girassol perfumaram os dias de maio...

Ardente olhar que se esquiva, negando o coração rubro.

Tens coragem de negar esse estremecer que foi plantado? Cultivado? Colido? Por mais mistério que exista neste magnifico canteiro, tu protege as sombras que perduram no meio de nós.

Entrego-te um céu de diamantes, imensas árvores, com raízes fortes. E nós sabemos o magnetismo existe, e os sentidos pulsam nas tuas invioláveis profundezas...

Caminho sem saber, as paixões trazem um magnifico olhar alucinado.










terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Luto

 Na madrugada de ruídos, ferragens penetram o sangue latente.
O inicio solene ao longo luto, um amor que se desmantela.
Há dois dias, a ideia aceitável de minha própria morte.
A Terra batida é a força da vida que resta.
O cheiro da chuva trás a melancolia.
Das secas lágrimas o coração sobrevive de morfina.
Palpitações breves, sussurros nos dedos.
Toda escrita revela a banalidade que existe em mim.
Brando profundo, o medo da morte continua aqui...
Desejo viver perdidamente, toda à loucura.
Estou velando o desespero.
Experimento a doença.  Isso assusta.
Retorno a memoria e emoções atrozes.
Caótico luto.
Há vida me chama: Vá, saia, distraia-se...
Nó na garganta não deixa. A aflição se ativa.
Limpo em catarse o apartamento, na tentativa de descolar o desespero na triste manhã.
A tarde foi contaminada pela fumaça, e aqui estou.
No ponto mais ardente agora é um furo no estomago, simultaneamente as narinas ardem e as lágrimas são cruelmente interrompidas.
O sopro dessa agonia submerge na dor.
Vazio buraco. Cada vez menos tenho vontade de dizer e escrever.
Necessito de coragem. Coragem significa viver. Quero Viver.
Agora estou culpabilizada, tudo se reduz a uma emoção fútil, porque parece que estou pregando a morte...
Busco há vida.
A vontade de suicidar-se no terremoto amoroso, não faz sentido no delírio do poeta.
E mais uma madrugada chegará...
Nasce uma nova expressão em minha face.
Encontro com pessoas desconhecidas, à necessidade de mostrar um espirito novo, alegre.
É para isso é preciso CORAGEM...
Sei que será inevitável outra manhã amarga, mas não me entrego.
Mesmo que a nova tarde seja ainda mais infeliz, travo o choro e coloco o sorriso treinado nos lábios.
Terrível é a tristeza. Desabar em soluços é tão patético.
Os nervos mobilizados, tensionados. Lufadas de sentimentos.
As crises de tristeza trazem uma distorção dolorosa. Um sofrimento desorganizado. Uma fragilidade digestiva, um pulmão desencantado.
Abriu-se a ferida no coração-amor-útero.
Medo do caráter descontínuo do luto.
Viver sem alguém que amamos, significa que amamos menos?
Nada desperta o abandono.
Neve, muita neve...











quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O cachorro


A febre perfura os ossos
A quimioterapia e um estado constante da furadeira atravessando o baço
Como um cachorro, girando tentando coçar o próprio rabo e engolindo o soro fisiológico.
O cabelo cai a cada minuto, gostaria de não tomar banho, para não tem que conviver com o ralo.
Agora é a hora de limpar o dreno, dreno do meu humor, dreno da minha decepção, dentro do sangue amargo.
Uma vez um terapeuta me disse: “Todo divorcio tem perdas” Eu completo divorcio tem roubo, trauma e câncer!
Bom dia!